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Indiferença
Exercícios Inacianos

“Indiferença”

Não encontramos nos Exercícios o substantivo “indiferença” senão o adjetivo “indiferente” (EE 23; 157; 170; 179).

A indiferença não é um fim em sim mesma, mas implica uma passagem necessária ao amor autêntico, à escolha daquilo “que mais nos conduz ao fim para que somos criados”. É liberdade para uma decisão que, no fundo, não é minha, mas de Deus; é sua vontade que devo buscar ao fazer uma eleição. Para Inácio, a indiferença é a pedra de toque de uma “boa e sã” eleição, pois ela ajuda a “seguir aquilo que sentir ser mais para a glória e louvor de Deus Nosso Senhor e salvação de minha alma” (EE 179). Por essa razão, a indiferença inaciana não é uma “virtude permanente”, mas vital e em contínuo estado de tensão, pois supõe que nos encontremos, de uma maneira ou de outra, em contínuo estado de eleição; ela é sempre uma preparação interior, um equilíbrio preliminar, uma “disposição” que leva a pessoa a descobrir a cada instante onde se encontra a vontade divina; trata-se de uma atitude provisória, pois cessa depois de ter sido feita a escolha (em relação à coisa escolhida). Evidentemente, a pessoa que continuamente vive esta “disposição” terminará por se afastar de tudo o que não é de Deus e somente amar em todas as coisas o que for do agrado divino. Nesse sentido, a indiferença desempenha um papel purificador e libertador, já que nos permite perceber, compreender e amar a vontade divina. Somente quando o homem é verdadeiramente indiferente é que ele pode perceber esta ação imediata de Deus nele; a indiferença é, pois, a preferência dada à vontade de Deus em relação a tudo: “procurar em todas as coisas a Deus Nosso Senhor, arrancando de si, quando possível, o amor de todas as criaturas para o pôr todo no Criador delas, amando-O em todas, e amando todas n’Ele, conforme a sua santíssima e divina vontade” (Const, 288).

Disso resulta que a indiferença é uma distância das “coisas” que deve ser determinada à luz de Deus: é a liberdade do homem que confia em Deus, que orienta seu olhar para o Senhor e se deixa conduzir pela força do seu amor. É algo que envolve todas as dimensões do nosso ser, que requer o concurso de todas as nossas faculdades espirituais, razão, vontade, coração.

A indiferença inaciana só será inaciana quando integra o “magis”; a expressão “fazer- nos indiferentes a todas as coisas criadas” só se compreende se a consideramos em sua relação com a escolha do melhor; o objetivo da indiferença, portanto, não é outro que a busca contínua da maior glória de Deus.

Pe. Adroaldo Palaoro, sj

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